O que a arquitetura deixa no solo dura mais que o que coloca no ar. Um edifício demolido desaparece do horizonte em questão de dias, mas as suas fundações permanecem cravadas no solo durante gerações. O contaminação causada por um complexo industrial não esclarece quando o complexo é demolido. As fronteiras legais inscritas no território colonial não se dissolvem quando a administração colonial termina. O terreno guarda aquilo que a arquitetura rapidamente esquece.
Isto é o que torna o solo tão desconfortável como assunto. A disciplina tende a orientar-se para cima, para a forma, para a fachada, para a experiência espacial do habitar. O terreno é onde a arquitectura começa e, num certo sentido, onde termina: o ponto em que a construção se torna geologia, o título legal se torna reivindicação territorial e a construção se torna extracção. Tratar o solo como um meio e não como um dado significa reconhecer que os actos de construção acarretam consequências que são mais profundas do que o objecto visível acima do nível do solo.






