FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL
Comissão de Infraestrutura do Senado avança na proteção das agências reguladoras e aprova projeto que fortalece autonomia institucional
Comissão de Infraestrutura aprova o PLP nº 73/2025, incorpora sugestões apresentadas pelas agências reguladoras e autoriza tramitação em regime de urgência para votação no Plenário do Senado Federal.
Em um movimento considerado estratégico para a infraestrutura nacional, a segurança jurídica dos investimentos e a qualidade dos serviços prestados à população, a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (16/6) o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 73/2025, que busca impedir o contingenciamento de despesas das agências reguladoras federais e fortalecer a autonomia necessária para a execução de atividades essenciais de fiscalização, regulação e supervisão em setores estratégicos da economia brasileira.
✓ Projeto aprovado
PLP 73/2025 recebeu parecer favorável na Comissão de Infraestrutura.
✓ Sugestões incorporadas
Contribuições apresentadas pelas agências foram incluídas no texto final.
✓ Tramitação acelerada
Senadores aprovaram requerimento de urgência para votação em Plenário.
✓ Impacto nacional
Medida fortalece fiscalização, investimentos e proteção dos usuários.
A proposta, de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), foi aprovada com relatório apresentado pelo presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogério (PL-RO), que ampliou o alcance do texto original para assegurar proteção a todas as despesas relacionadas às atividades das agências reguladoras. Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram requerimento de urgência, permitindo que a matéria siga diretamente para apreciação do Plenário do Senado.
A votação ocorreu após audiência pública realizada pela Comissão de Infraestrutura para discutir os impactos dos recentes bloqueios orçamentários sobre a capacidade operacional das agências reguladoras federais. O debate reuniu dirigentes dos principais órgãos reguladores do país, representantes do Tribunal de Contas da União (TCU), especialistas e parlamentares envolvidos na construção de soluções voltadas à continuidade das atividades regulatórias.
O resultado representa uma importante convergência institucional entre Senado Federal, agências reguladoras, órgãos de controle e ministérios setoriais em torno de uma pauta considerada estratégica para a infraestrutura nacional, para a segurança jurídica dos investimentos e para a qualidade dos serviços prestados à população.
“As agências reguladoras são instituições de Estado. Sua missão é garantir equilíbrio, previsibilidade, segurança jurídica e proteção aos usuários.”
Guilherme Theo Sampaio — Diretor-Geral da ANTT e Presidente do COARF
Participação da ANTT e liderança do COARF
Durante a audiência pública, o Diretor-Geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Presidente do Comitê das Agências Reguladoras Federais (COARF), Guilherme Theo Sampaio, defendeu a necessidade de uma solução permanente para garantir a efetiva autonomia financeira das agências reguladoras brasileiras.
Em sua manifestação, ele destacou que a discussão ultrapassa governos e gestões específicas, tratando-se de uma agenda de Estado voltada ao fortalecimento de instituições responsáveis por assegurar estabilidade regulatória, segurança jurídica, fiscalização adequada e proteção aos usuários.
Segundo ele, as agências reguladoras exercem papel fundamental na harmonização dos interesses da sociedade, do poder público e dos setores regulados, contribuindo para a implementação de políticas públicas de longo prazo e para a execução de contratos que frequentemente atravessam diferentes governos.
Sugestões das agências foram incorporadas ao relatório
Um dos principais resultados da discussão conduzida pelo Senado foi a incorporação de sugestões técnicas apresentadas pelas próprias agências reguladoras ao texto aprovado pela Comissão.
A redação originalmente proposta previa proteção apenas para determinadas despesas vinculadas às atividades-fim e custeadas por receitas específicas. Após o diálogo com as agências, o relatório aprovado ampliou a abrangência da medida para assegurar proteção às atividades das agências reguladoras de forma mais ampla, fortalecendo a efetividade da proposta.
A construção do texto contou com intensa interlocução entre parlamentares, dirigentes das agências reguladoras e equipes técnicas do Senado. Além da atuação do senador Marcos Rogério e do senador Laércio Oliveira, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) também participou das articulações que contribuíram para a aprovação do relatório e do requerimento de urgência.
60%
dos investimentos previstos no PAC possuem relação direta com setores regulados pelas agências federais
Impactos para a infraestrutura e para os investimentos
Durante sua apresentação aos senadores, Guilherme Theo Sampaio destacou que parcela significativa dos investimentos previstos para os próximos anos passa diretamente pelos setores regulados pelas agências federais. No segmento de transportes, essa participação é ainda maior.
A avaliação compartilhada pelos participantes da audiência é de que o fortalecimento das agências reguladoras representa um elemento essencial para a atração de investimentos privados, para a execução de projetos estruturantes e para a manutenção de um ambiente de negócios estável e previsível.
Isso porque grande parte dos contratos regulados possui vigência de longo prazo, frequentemente superior a 30 anos, exigindo instituições sólidas, estáveis e capazes de atuar com independência técnica.
O impacto direto para os usuários
Embora o tema tenha natureza técnica, seus efeitos são percebidos diretamente pela população. As agências reguladoras são responsáveis por atividades como fiscalização de rodovias, ferrovias, aeroportos, portos, sistemas de energia elétrica, telecomunicações, saneamento, saúde, petróleo e exploração de recursos minerais.
- Fiscalizações e inspeções em campo;
- Monitoramento de contratos de concessão;
- Desenvolvimento de sistemas tecnológicos;
- Contratação de especialistas;
- Inteligência regulatória;
- Proteção dos usuários e melhoria dos serviços.
Quando esses recursos são bloqueados, a capacidade operacional das agências pode ser reduzida, afetando atividades essenciais de fiscalização e acompanhamento.
Durante a audiência, os dirigentes alertaram que contingenciamentos sucessivos podem comprometer o planejamento institucional, retardar investimentos em tecnologia, reduzir a capacidade fiscalizatória e dificultar a execução de atribuições estratégicas previstas em lei.
O caso da ANTT
No caso da ANTT, os desafios ganham dimensão ainda maior diante da expansão das responsabilidades da Agência nos últimos anos.
12 mil → 19 mil km
expansão da malha rodoviária concedida acompanhada pela ANTT entre 2021 e 2026
Além disso, a ANTT é responsável pela regulação do transporte ferroviário, do transporte rodoviário interestadual de passageiros e do transporte rodoviário de cargas, atividades que impactam diretamente a logística nacional, o abastecimento do país e a mobilidade da população.
O Diretor-Geral também ressaltou que a Agência convive historicamente com limitações em seu quadro de pessoal, cenário que reforça a importância dos investimentos em tecnologia, inteligência regulatória e contratação de serviços especializados.
Apoio do Ministério dos Transportes
Apesar dos desafios, Guilherme Theo Sampaio reconheceu o apoio prestado pelo Ministério dos Transportes na busca de soluções para preservar a capacidade operacional da ANTT diante dos recentes bloqueios orçamentários.
Recentemente, a Pasta promoveu a recomposição de parte dos recursos que haviam sido contingenciados da Agência, medida considerada fundamental para assegurar a continuidade de projetos estratégicos e evitar impactos sobre atividades regulatórias e fiscalizatórias.
O Diretor-Geral registrou agradecimento ao ministro George Santoro, ao ex-ministro Renan Filho e às equipes técnicas do Ministério dos Transportes pelo diálogo permanente e pela atuação institucional em defesa da manutenção das capacidades operacionais da Agência.
Reconhecimento do Congresso Nacional e do TCU
A discussão também ocorre em um contexto de crescente reconhecimento institucional da importância das agências reguladoras para o funcionamento da economia e para a execução de políticas públicas.
Recentemente, o Tribunal de Contas da União determinou a elaboração de medidas voltadas ao fortalecimento da autonomia financeira das agências reguladoras federais, reconhecendo a necessidade de garantir condições adequadas para o exercício de suas competências legais.
No Congresso Nacional, o tema ganhou relevância nos últimos anos, impulsionado pela expansão dos investimentos em infraestrutura e pela necessidade de fortalecer instituições responsáveis por garantir segurança jurídica, estabilidade regulatória e proteção aos usuários.
A aprovação do PLP 73/2025 pela Comissão de Infraestrutura reforça esse entendimento e sinaliza uma construção institucional ampla em torno do fortalecimento do sistema regulatório brasileiro.
Para os cidadãos, os benefícios esperados são concretos: mais fiscalização, mais segurança para os usuários, melhor acompanhamento dos contratos de concessão, maior qualidade dos serviços prestados e mais capacidade de resposta diante dos desafios dos setores regulados.
Com a aprovação do relatório e o encaminhamento da proposta para apreciação do Plenário, o Senado Federal reforça uma mensagem compartilhada por parlamentares, órgãos de controle, ministérios e dirigentes das agências reguladoras: instituições fortes são fundamentais para garantir serviços de qualidade, proteger os usuários e assegurar que os investimentos necessários ao desenvolvimento do Brasil continuem chegando à população.




