Nesta entrevista com Canal da Louisianaarquiteto mexicano Gabriela Carrillo apresenta-nos os desafios que movem o seu trabalho, nomeadamente os projetos realizados como membro da Coletivo C733do qual participa atualmente ao lado de Carlos Facio, José Amozurrutia, Eric Valdez e Israel Espin. Através da exploração da sua definição de arquitetura, ela oferece reflexões sobre o design de espaços públicosa relação entre arquitetura e arte da terrae o papel do preexistente na transformação do espaço. Defende a arquitectura como uma “ferramenta poderosa” para promover ligações entre as pessoas e o seu ambiente, definindo a sua prática como optimista.

O trabalho de Gabriela Carrillo tem sido amplamente premiado, publicado e exibido internacionalmente. Inicialmente trabalhando ao lado de Mauricio Rocha e, desde 2019, liderando seu estúdio homônimo, Oficina Gabriela Carrilloela desenvolveu uma prática multiescalar na qual ressoam o conceito de dignidade espacial e uma atenção particular aos contextos sociais e naturais. Ela compartilha sua visão de design através de seu trabalho acadêmico na Faculdade de Arquitetura na UNAM, bem como em outras instituições em todo o mundo (incluindo Harvard GSD, Kent State University e o programa WAVE em Veneza). Uma trajetória condizente com a visão que ela afirma no início da entrevista, onde afirma que “tudo e todas as pessoas que conhecíamos de alguma forma nos mudaram”.

Ela refere-se ao seu interesse em conceber projetos públicos e espaços coletivos como uma vontade de se envolver em contextos críticos: “O que aconteceu depois é que me coloquei, talvez por decisão, em condições de crise”. Ela enquadra estes projetos numa vertente mais estratégica da prática arquitetónica, que é um desafio tanto em termos de tomada de decisão para os designers como na promoção de ligações com o contexto e os atores envolventes. É esta capacidade de navegar em tais diálogos que ganhou ao Colectivo C733 o Prémio OBEL 2024em reconhecimento à abordagem colaborativa demonstrada em uma série de 36 projetos multissetoriais de regeneração urbana em todo o México. Sobre sua participação no coletivo e nesse tipo de projeto, ela afirma:
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Acho que quando você trabalha em um espaço público, você precisa se desapegar bastante. Você precisa descobrir que o trabalho que você está fazendo não é seu, que você está criando uma tela. E essa tela será transformada pelas pessoas que ela habitará.

Da mesma forma, o interesse de Gabriela Carrillo pelo design é impulsionado pela forma como a arquitetura medeia as interações humanas e como a transformação do espaço pode provocá-las ou remodelá-las. Uma abordagem semelhante é aplicada à relação entre as pessoas e o seu ambiente, exemplificada pela sua descrição do Eco Parque Bacalar projeto em México. O projeto consiste em um percurso desenhado para observação dos manguezais e estrelas da Laguna Bacalar, um recife bacteriano de água doce de grande importância ecológica e cultural. Sobre esta intervenção, o arquiteto destaca o valor do projeto como espaço de valorização e educação:
Então pensamos que este caminho teria a história da lagoa, que tem 10 mil anos pela frente, e seria a oportunidade de mostrar e contar a história desta lagoa às pessoas. Então é por isso que tinha quatro faces. Não é um beco sem saída. É um ciclo. Está perfeitamente orientado para o norte, por isso chama a atenção com a sombra por causa da luz e se move dependendo para que o manguezal possa se mover abaixo. Então, para mim, a arquitetura não é apenas a peça geométrica que estamos construindo, mas tudo o que acontece de orgânico abaixo.


Além desses assuntos, a entrevista também aborda a intersecção entre arquitetura e arte, referenciando o trabalho de Olafur EliassonDamián Ortega e Gabriel Orozco. Carrillo reflete sobre o valor escultural da arquitetura no controle da massa e dos elementos sensíveis que a rodeiam, incluindo o vento, a luz e a própria geometria. A entrevista oferece uma breve visão de seu trabalho, que pode ser mais explorada no documentário Mulheres na Arquiteturaonde aparece ao lado de Toshiko Mori e Johanna Meyer-Grohbrügge, ou através de uma análise aprofundada de o sistema arquitetônico que define a obra do Colectivo C733.
Nota do editor: Este artigo foi publicado originalmente em 11 de fevereiro de 2025.



