Cada cidade contém dois sistemas de transporte. Um é a rede visível de estradas, linhas ferroviárias, calçadas e rotas de ônibus mapeadas em documentos de planejamento. O outro é a geografia invisível de privilégio e exclusão embutida nela: os bairros que receberam rodovias em vez de parques, as comunidades cujas linhas de ônibus foram cortadas, as calçadas que terminam abruptamente na periferia de um bairro. Durante muitos anos, os profissionais do ambiente construído trataram a infraestrutura como um desafio técnico. A justiça da mobilidade insiste que é, fundamentalmente, uma questão política.
Embora o termo justiça de mobilidade pode ser relativamente recente, as condições que descreve não o são. As decisões de transporte concentraram a acessibilidade para aqueles que já a possuem, enquanto restringindo sistematicamente o movimento daqueles que não. O resultado é uma paisagem moldada por décadas de decisões políticas, padrões de design e prioridades de investimento que silenciosamente incorporaram a desigualdade na estrutura física das cidades.






