A morte é uma certeza, mas a sua arquitetura nunca foi estável. Cada época e cada cultura inventaram uma maneira diferente de colocando os mortos no mundo (próximo ou distante, visível ou oculto, monumental ou quase anônimo), e essas escolhas sempre tiveram peso social e político. Cemitérios são onde esse peso se torna legível no espaço, transformando crenças e regulamentações em limites, caminhos e nomes.
Nesse sentido, um cemitério comporta-se como uma peça de construção de cidade. Precisa de acesso, de limites e de uma ordem interna que possa crescer sem perder a clareza. Depende tanto da gestão do solo e da água como do simbolismo, e da administração tanto como da forma. Mas o seu verdadeiro problema arquitectónico é como tornar legível um território grande e em evolução, preservando ao mesmo tempo a intimidade de uma visita. Os nomes devem ser localizáveis; as rotas devem permanecer legíveis; as árvores crescem, os caminhos mudam, as pedras mudam, os registros se acumulam. O que parece fixo é, na prática, um sistema vivo concebido para ser usado e revisitado, muito depois de o primeiro luto ter passado.






