
O secretário-geral das Nações Unidas advertiu, nesta terça-feira, sobre a continuação da escalada de violência impulsionada por novos ataques e uma rápida piora diplomática em meio à atual crise no Oriente Médio.
António Guterres apontou que a situação ameaça desencadear um conflito total com impactos globais no comércio, na inflação e na segurança alimentar.
Líbano e ameaça de guerra
Em seu discurso ao Conselho de Segurança, o chefe das Nações Unidas destacou que a região está sendo arrastada para um abismo, e as consequências já se refletem fora do Oriente Médio.
A sessão “Mediação para o Diálogo e a Paz Duradoura”, sobre o Oriente Médio teve a liderança do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, país que neste mês exerce a liderança rotativa do Conselho.
Destruição em uma área residencial de Tiro, sul do Líbano, em 31 de maio de 2026, após um ataque aéreo israelense
O secretário-geral destacou a gravidade do drama no Líbano, que desde março enfrenta uma grave escalada com a intensificação das operações de Israel e os ataques do Hezbollah. Desde março, o sul do país foi arrasado provocando “danos alarmantes” em nível humanitário.
Guterres disse que os números do deslocamento dispararam para mais de 1 milhão de civis forçados a abandonar suas casas. Em termos de baixas, a ONU perdeu sete soldados de paz da durante o conflito, incluindo uma vítima na última semana.
Manutenção das tropas internacionais
Em relação à destruição de infraestrutura, contam-se comunidades libanesas inteiras desarraigadas e infraestruturas civis demolidas.
Mesmo com a escalada de ataques, Guterres elogiou os Estados Unidos pelo papel facilitador nas negociações entre Israel e o Líbano.
Ele exigiu um cessar-fogo abrangente, a manutenção das tropas internacionais após a saída da Força da ONU no Líbano, Unifil, e o respeito à soberania libanesa, como prevê a Resolução 1701 do Conselho de Segurança.
Golfo, Estreito de Ormuz e Irã
A instabilidade no Golfo Pérsico foi outro ponto de grande tensão abordado por Guterres. Ele vê o atual cenário “não como um cessar-fogo”, mas como um “fogo menor”, com civis e infraestruturas continuando sob ataque em diversos países.
Bloqueio e restrições à navegação no Estreito de Ormuz estão causando um efeito cascata na economia global
O bloqueio e as restrições à navegação no Estreito de Ormuz estão causando um efeito cascata na economia global, marcado pelo aumento drástico nos preços de energia e combustíveis.
Nesta realidade houve ruptura das cadeias de suprimentos globais e o aumento de preços de fertilizantes, agravando a fome global e a inflação, e tendo os países em desenvolvimento pagando o preço mais alto pela situação.
Para estabilizar a região, Guterres pediu negociações sérias sobre a questão nuclear do Irã, exigindo garantias de que o programa nuclear iraniano seja exclusivamente pacífico. Ele também clamou por uma nova arquitetura de segurança para o Golfo, baseada na não interferência e no respeito à soberania.
Gaza, Cisjordânia e outros conflitos regionais
Com o Líbano e o Golfo em ebulição, os Territórios Palestinos e nações vizinhas “continuam sangrando”. Guterres afirmou que a Faixa de Gaza deve continuar a integrar um Estado Palestino unificado.
Da Cisjordânia, os efeitos vão desde a média de seis ataques diários por ocupantes de assentamentos considerados “extremistas”. Na área observam-se ainda a expansão de assentamentos ilegais israelenses. Os níveis de deslocamento forçado de palestinos não são observados desde 1967.
O secretário-geral também assinalou para conflitos do Iêmen e da Síria, mostrando os resultados mistos da diplomacia internacional.
António Guterres pediu a todas as partes que preservem o caminho para uma paz duradoura
A mediação do conflito iemenita permitiu a libertação de 1,6 mil detidos ligados aos confrontos, no maior acordo registrado desde o início da guerra.
Libertação de funcionários da ONU
No entanto, Guterres exigiu o fim das ameaças feitas por rebeldes Houthis à navegação no estreito se Bab Al Mandeb, situado entre a Arábia e a África conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, e ao Oceano Índico e libertação imediata de funcionários da ONU detidos arbitrariamente.
No contexto sírio, após 13 anos de violência, o país começa a “provar a paz”, mesmo sendo registrados episódios de instabilidade regional e uso contínuo da força que ameaçam os avanços.
António Guterres encerrou o seu pronunciamento lembrando ao mundo que a diplomacia e os mecanismos da Carta da ONU são as únicas ferramentas viáveis para a paz.
O líder das Nações Unidas apelou ao Conselho de Segurança para que possa colocar todo o seu peso político na solução de dois Estados para Israel e Territórios Palestinos, para a qual defende que “não há alternativa e não há tempo a perder.”




