O governo federal espera começar a pagar ainda este mĂŞs as primeiras indenizações à s famĂlias de crianças com deficiĂŞncia permanente causada pela sĂndrome congĂŞnita associada ao vĂrus Zika.

Segundo o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, cerca de 1,6 mil crianças de todo o Brasil têm direito à indenização por dano moral de R$ 50 mil – valor que será corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado entre 2 de julho deste ano e a efetiva data do pagamento da indenização.
As crianças receberĂŁo tambĂ©m uma pensĂŁo especial, mensal e vitalĂcia, equivalente ao teto dos benefĂcios pagos pela PrevidĂŞncia Social – hoje, equivalente a R$ 8.157,40. De acordo com Queiroz, a expectativa Ă© que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) comece a pagar as pensões em outubro.
“Para isso, as mães estão se mobilizando a fim de cumprir os requisitos, que são simples”, afirmou o ministro a jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde foi entrevistado no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação.
“Pedi pressa a todos setor do ministĂ©rio para que a gente consiga fazer isso de forma breve, para poder ver a vida mudar para melhor das crianças e das mĂŁes.”
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Os requisitos citados pelo ministro constam da Lei nº 15.156, de 1º de julho deste ano, e da Portaria Conjunta MPS/INSS nº 69, publicada no Diário Oficial da União do último dia 8.
De acordo com o texto da portaria, a indenização e a pensĂŁo serĂŁo pagas apenas a pessoas nascidas no Brasil, com deficiĂŞncia permanente decorrente da sĂndrome congĂŞnita associada Ă infecção pelo vĂrus Zika.
A comprovação da condição de saĂşde será feita por meio de laudo de junta mĂ©dica, que será analisado e homologado pela PerĂcia MĂ©dica Federal. Os requerimentos dos direitos devem ser entregues ao INSS, juntamente com os documentos de identificação, incluindo Cadastro de Pessoa FĂsica (CPF), do requerente e do seu representante legal, bem como uma cĂłpia do laudo emitido pela junta mĂ©dica.
“Essa Ă© uma vitĂłria das mĂŁes, que há dez anos vĂŞm lutando para criar seus filhos e, ainda assim, se mobilizaram e conseguiram aprovar esta lei no Congresso Nacional, em BrasĂlia. Todas elas já participam de uma associação, sĂŁo muito organizadas, e se comunicam [entre si]. Quando fui a Recife [estado que concentra cerca de 1/3 de todos os casos registrados no paĂs] para tirar dĂşvidas e ouvĂ-las, elas sugeriram algumas mudanças na portaria que a gente ainda vai fazer porque o objetivo do governo federal Ă© acolher e garantir que todos [que tĂŞm direito] recebam, mas há alguns critĂ©rios [legais] obrigatĂłrios que precisam ser cumpridos”, afirmou o ministro.
Entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou um surto de Zika, uma virose transmitida por meio da picada do mosquito Aedes aegytpi e que despertou a atenção da comunidade cientĂfica e da população em geral ao ser associada ao aumento de casos de microcefalia e outros quadros neurolĂłgicos graves, especialmente em estados do Nordeste, como Pernambuco e ParaĂba.Â
Em fevereiro de 2016, a Organização Mundial da SaĂşde (OMS) chegou a classificar a epidemia como uma EmergĂŞncia de SaĂşde PĂşblico de Importância Internacional. Passado algum tempo, o nĂşmero de casos e o espaço dedicado ao tema pela mĂdia começaram a diminuir, embora as crianças afetadas pela sĂndrome congĂŞnita e suas famĂlias continuem enfrentando uma dura rotina de cuidados especiais.




