A conhecida frase “o homem é o que come” (Homem é o que ele come), de Ludwig Feuerbach, afirma que a constituição física, mental e até moral do ser humano está diretamente ligada ao que consome. Hoje, esta ideia é amplamente internalizada, com uma consciência crescente em torno da alimentação, da nutrição e do impacto do que ingerimos no nosso corpo. No entanto, este mesmo nível de consciência não se estende aos ambientes que habitamos, onde os materiais continuam a ser tratados como decisões técnicas e não como agentes activos na relação entre corpo e espaço. Considerando que uma grande parte da população global gasta cerca de 90% do tempo dentro de casararamente se discute o que realmente compõe esses espaços em seu nível mais fundamental: materiais. Paredes, pisos e acabamentos são frequentemente abordados como escolhas técnicas ou estéticas, quando na realidade podem funcionar como fontes contínuas de exposição a substâncias potencialmente nocivas.
É neste contexto que o Laboratório de Materiais Saudáveis (HML)fundada em 2015 em Escola de Design Parsonspropõe uma mudança de perspectiva. Com base no reconhecimento de que a indústria do design e da construção, especialmente no sector da habitação a preços acessíveis, desempenha um papel crítico no declínio da saúde das pessoas e dos ecossistemas, o laboratório argumenta que a especificação de materiais deve ser entendida como uma preocupação central de saúde pública. Conversamos com Jonsara Ruth e Alison Mears, arquitetas e fundadoras do laboratório, que compartilharam como esta iniciativa foi desenvolvida ao longo da última década e por que a seleção de materiais pode ser uma das decisões mais críticas na prática arquitetônica contemporânea. O laboratório surgiu apoiado por uma bolsa de três anos da Fundação JPB, possibilitando o desenvolvimento de pesquisas sobre impactos materiais e a formulação de estratégias voltadas para a prática arquitetônica.






